sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O Brasil no Centro da Disputa Global: Dois Projetos Antagônicos de Nação - 23 de outubro de 2026 - 2º Turno das Eleições presidenciais no Brasil -

O Brasil no Centro da Disputa Global: Dois Projetos Antagônicos de Nação

Escrito pelo Professor M.e. Jefferson Murilo Palmeira Chaves, Maceió, 22 de outubro de 2026. 

O Brasil está no centro de uma disputa global devido ao seu papel estratégico como potência ambiental, grande produtor de alimentos e detentor de vastas reservas de minerais críticos. Mais do que uma disputa entre candidatos, a eleição decidirá os rumos futuros do país, pois coloca frente a frente dois modelos antagônicos de desenvolvimento econômico, de inserção geopolítica global e de prioridades socioambientais para as próximas décadas.



De um lado, apresenta-se o Projeto Social-Desenvolvimentista/Democrático-Inclusivo, focado na reconstrução de políticas públicas, combate à desigualdade, preservação ambiental e fortalecimento do Estado como indutor econômico. Entre suas pautas centrais, estão: não deixar o preço do gás e da gasolina subir sem controle só porque o dólar subiu; defender as riquezas nacionais como expressão da soberania; adotar jornada de trabalho com duas folgas por semana, sem redução de salário; criar políticas para reduzir as dívidas das famílias; combater o crime organizado atacando suas fontes financeiras; ampliar vagas nas universidades; manter cotas para indígenas, quilombolas e negros em universidades e concursos públicos; cobrar impostos dos super-ricos para melhorar saúde, educação e segurança; regular as redes sociais para preservar a democracia, combater fake news e crimes digitais; manter Bolsa Família, Pé de Meia, Vale Gás e outros benefícios sociais; garantir aumento anual do salário mínimo acima da inflação; ampliar o número de creches; fortalecer o SUS para garantir saúde para todos; fortalecer a Casa da Mulher Brasileira para acolher vítimas de violência doméstica; criar o Sistema Único de Segurança, semelhante ao SUS, para unir governo federal, estados e municípios no combate ao crime; ampliar Carretas da Saúde e hospitais para acabar com as filas de exames e cirurgias; e adotar a máxima de que “para o povo trabalhador, proteção, e para o bandido, prisão”. A esse núcleo, somam-se pautas complementares: ampliar o investimento público em ciência, tecnologia e inovação, com foco em soberania digital e transição energética; criar uma política nacional de processamento de minerais críticos, evitando exportar matéria-prima bruta; fortalecer a agricultura familiar e a reforma agrária produtiva, com assistência técnica e crédito acessível; instituir renda básica emergencial para famílias em vulnerabilidade extrema; ampliar a licença parental compartilhada e as políticas de cuidado; criar corredores verdes urbanos e planos municipais de adaptação climática; tributar grandes fortunas, lucros e dividendos; regular plataformas digitais com transparência algorítmica e proteção de dados; universalizar internet de qualidade em escolas e periferias; criar rede nacional de creches e escolas em tempo integral; instituir o Sistema Único de Segurança com integração de inteligência; garantir aposentadoria digna e revisão das regras de idade sem retirar direitos; e proteger territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.



De outro lado, apresenta-se o Projeto Ultraneoliberal-Conservador, focado na desestatização, na tônica de mercado, em pautas de segurança pública tradicionais, em valores conservadores e na oposição ao modelo fiscal centralizado. No plano teórico, o documento protocolado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso” e estabelece diretrizes baseadas no endurecimento penal, no livre mercado e em profundas reformas institucionais no funcionalismo e no Poder Judiciário. Na área da segurança pública, a estratégia central foca no combate ao crime organizado e no aumento da rigidez penal. O plano prevê classificar as principais facções criminosas como organizações terroristas, além de propor o fim da progressão de regime para crimes hediondos e a redução da maioridade penal para 16 anos em casos graves. O programa também projeta uma expansão do sistema penitenciário nacional para criar novas vagas, atrelando a permanência do preso ao trabalho obrigatório. Para a economia e gestão pública, as diretrizes priorizam o corte de despesas do Estado e a atração de investimentos privados. O plano defende a substituição do arcabouço fiscal por um teto baseado na trajetória da dívida pública, acompanhado de propostas de desestatização e redução da carga tributária. No âmbito institucional, propõe-se o enxugamento da máquina administrativa, a digitalização dos serviços, o fim de decisões monocráticas no Judiciário e a extinção da reeleição no Executivo, com mandatos ampliados para cinco anos. Suas principais bandeiras incluem: oferecer o Brasil para exploração dos Estados Unidos; não reconhecer as mudanças climáticas e não ter plano de governo para proteger a população e as cidades ameaçadas por enchentes e secas; “acabar” com o auxílio BPC para famílias com pessoas doentes; defender o armamento da população; facilitar contratações sem carteira assinada, deixando trabalhadores sem férias, 13º salário, seguro-desemprego e outras garantias; tentar impedir a votação da nova escala de trabalho com duas folgas por semana; adotar o “tesouraço” nos gastos públicos, reduzindo serviços públicos gratuitos; aumentar a idade e reduzir o valor da aposentadoria; privatizar praias; defender o fim do Pix; privatizar 95% das estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, assim como luz e água; acabar com 18 ministérios importantes e trocar trabalhadores por Inteligência Artificial (IA); privatizar o SUS e adotar saúde somente para quem puder pagar; acabar com as leis trabalhistas, deixando cada empregado negociar direto com o patrão; e mudar a Constituição Cidadã para acabar com direitos sociais, como moradia, saúde e educação. A esse núcleo, somam-se pautas complementares: reduzir o tamanho do Estado com corte de ministérios e secretarias; flexibilizar leis trabalhistas e permitir contratação sem carteira assinada; substituir servidores públicos por inteligência artificial e terceirização; privatizar água, luz e saneamento; reduzir restrições à compra de armas; revogar políticas ambientais; acabar com benefícios assistenciais; facilitar a exploração de recursos naturais por empresas estrangeiras, especialmente dos EUA; regular redes sociais apenas para retirar conteúdos contrários ao governo; priorizar segurança pública com penas mais duras e redução da maioridade penal.



Esses projetos se refletem nas bases de apoio de cada candidatura. O bloco de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentra-se em setores que se beneficiam do papel indutor do Estado na economia, como a indústria de alta tecnologia e transição verde, empresas de construção civil e infraestrutura atreladas ao Novo PAC, além de bancos públicos e sindicatos. Regionalmente, a candidatura conta com o suporte das alas do centro político (como PSD e MDB) fortemente consolidadas nas regiões Norte e Nordeste. Por outro lado, o bloco de Flávio Bolsonaro (PL) atrai setores que defendem o livre mercado, a desregulamentação e o controle rígido de gastos públicos. Seu núcleo de apoio é formado pelo agronegócio, pelo mercado financeiro — que reage positivamente a promessas de cortes fiscais e privatizações — e pelo comércio, que se opõe a novas obrigações trabalhistas. Politicamente, essa ala agrega a direita e o centro tradicional do Sul e Sudeste, contando com a articulação de partidos como Republicanos, PP, Novo e União Brasil.



Geopoliticamente, o Brasil atua como um “país pêndulo” entre a China (sua maior parceira comercial) e os Estados Unidos (que tentam ampliar sua influência por meio de pressões e tarifas). Essa disputa não é apenas econômica; é também simbólica. A frase “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” ganhou grande repercussão após ser dita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2026, durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e também dá título a uma conhecida obra literária: O Brasil não cabe no quintal de ninguém: bastidores do FMI e dos BRICS e a distração nacional, do economista Paulo Nogueira Batista Jr. Com base em sua experiência como diretor executivo no Fundo Monetário Internacional (FMI) e vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS), o autor constrói uma análise crítica e autobiográfica das relações internacionais do Brasil, dos bastidores de crises financeiras globais e da formulação de políticas multilaterais, contestando a subordinação diplomática e econômica historicamente adotada por parcelas das elites brasileiras e criticando o chamado “complexo de vira-lata”. A obra dialoga, assim, diretamente com o debate sobre soberania nacional e com a resistência interna à consolidação do Brasil como ator global independente. Contudo, analistas apontam que o grande desafio do Brasil não é apenas possuir minerais essenciais para a tecnologia e a indústria de defesa, mas sim desenvolver a capacidade de processá-los, uma etapa atualmente dominada pelos chineses. O resultado eleitoral vai ditar como o Brasil se posicionará no cenário de disputa tecnológica e de recursos naturais entre potências como Estados Unidos e China, além de definir sua posição internacional, o modelo de geração e distribuição de riquezas e o grau de concentração econômica para as próximas gerações. Diante disso, surgem questões centrais: como os dois modelos econômicos defendidos pelas candidaturas disputam a hegemonia do modelo de desenvolvimento nacional? Como a fragmentação do Congresso Nacional eleito no primeiro turno molda e limita o projeto do futuro presidente?



O documentário apresentado por Wagner Moura (2026) sustenta que o Brasil possui uma riqueza subterrânea estratégica: terras raras, nióbio e grafite, recursos essenciais para a indústria tecnológica, a transição energética e a defesa. Segundo a narrativa, o país tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, a segunda maior de grafite e a maior de nióbio, o que o tornaria peça central na disputa entre Estados Unidos e China. O vídeo afirma que, diante do fechamento do fornecimento chinês, o Brasil seria o único país com reservas suficientes para tentar substituir a China no abastecimento americano. A partir desse diagnóstico, o documentário descreve um suposto “complô para saquear o Brasil”. A narrativa mostra que empresas americanas já teriam comprado áreas de mineração no sul da Bahia e em Goiás, enquanto o governo brasileiro teria aprovado uma lei exigindo processamento local e respeito à soberania nacional. O texto defende que a exploração pode ocorrer com capital estrangeiro, mas não pode transformar o país em mero exportador de pedra bruta, sem gerar emprego e riqueza internamente. O vídeo também compara a situação brasileira com outros países. Na Ucrânia, um acordo de minerais teria sido imposto após pressão e dependência militar; na Venezuela, os Estados Unidos teriam obtido controle sobre campos de petróleo após a captura de Maduro; no Irã, a guerra e o petróleo aparecem associados; na Colômbia e na Argentina, acordos de minerais críticos teriam sido firmados após apoio político e empréstimos. A partir desses exemplos, o documentário afirma que o método se repete: primeiro vem a pressão, depois um governo alinhado e, por fim, o acordo de exploração. No caso brasileiro, a narrativa cita a taxação de 50% sobre produtos brasileiros e uma lista de 21 exigências entregue pelo governo americano. Entre os itens, estariam anistia aos condenados pelo golpe, tarifa zero para produtos americanos, fim do Pix e tratamento preferencial para empresas dos Estados Unidos na venda de minerais críticos. O documentário também menciona a exigência de limitar investimentos de “entidades estrangeiras preocupantes”, interpretada como uma referência à China. Segundo o vídeo, a diplomacia brasileira teria tratado a lista como “arquivo morto”. O documentário aponta ainda nomes de brasileiros que estariam atuando em favor de interesses americanos. São citados Paulo Figueiredo, neto do general João Figueiredo, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, André Marinho e Pedro Sang, associado à Rock Bridge. O vídeo afirma que esses personagens participariam de articulações para entregar ao governo Trump uma riqueza estratégica brasileira. A narrativa também menciona um fundo ligado a Donald Trump Jr. com investimentos em empresa fornecedora de ímãs que teria contrato com mineradora na Bahia. Por fim, o documentário ouve o general Santos Cruz, ex-ministro de Jair Bolsonaro, que classifica o extremismo como “vigarice” e “submissão voluntária”. O general afirma que o Brasil não pode vender terras raras como se fosse minério de ferro e que um país do tamanho do Brasil só se tornaria colônia se alguém “de dentro abrir a porta”. A conclusão do vídeo é que o Brasil tem uma posição estratégica única, mas a pergunta central é quem será o dono dessa riqueza: os brasileiros ou um grupo disposto a entregá-la ao exterior.



Com a vitória de Lula, Flávio Bolsonaro não será relevante: o que se contará é a decadência de um império, o imperialismo dos EUA e o aumento drástico de sua intervenção em outros países — por bombardeios e genocídio, sequestro de presidentes, bloqueio naval ilegal e interferência em eleições —, inclusive na retomada de controle sobre a maior parte da América Latina; por isso, a derrota de Flávio Bolsonaro, de Trump, de Netanyahu e das big techs aqui deveria marcar o momento de dizer que a extrema direita chegou até aqui e que agora começa a retomada do continente, pois, caso contrário, dirão que big techs, bilionários e o complexo industrial-militar controlaram totalmente a América Latina e prolongaram seu declínio; quem acredita na autodeterminação dos povos, na paz para deter o desastre ambiental planetário e em uma sociedade mais justa não pode aceitar isso, sobretudo quando o imperialismo vem junto com o sionismo — ideologia racista, supremacista e odiosa, como no genocídio em Gaza — e tenta tomar o país, encontrando alguém sem projeto de nação, corrupto e miliciano, que aceita ser sócio minoritário e marionete para se dizer presidente do Brasil, embora o Brasil acabaria governado pela América do Norte.



“A República das Milícias: Dos Esquadrões da Morte à Era Bolsonaro” é um livro de jornalismo investigativo escrito pelo pesquisador Bruno Paes Manso. Publicado em 2020 pela Editora Todavia, a obra venceu o Prêmio Jabuti 2021 na categoria Reportagem. O livro detalha as origens e a influência política dos grupos paramilitares no Rio de Janeiro. A investigação reconstrói a história da violência urbana fluminense ao longo de seis décadas. O autor explica como os esquadrões da morte formados por policiais nos anos 1960 abriram caminho para o crescimento das facções do tráfico de drogas nas décadas seguintes. Nos anos 2000, as milícias consolidaram um modelo de negócios baseado na cobrança de taxas de segurança e no controle de serviços básicos como gás, água e internet. A obra foca na infiltração direta desses grupos criminosos no poder público e no debate político nacional. Bruno Paes Manso utiliza depoimentos detalhados para traçar o perfil de figuras centrais do submundo carioca, como Fabrício Queiroz, Adriano da Nóbrega e Ronnie Lessa. O texto conecta essa evolução a episódios de grande impacto nacional, como o assassinato da vereadora Marielle Franco. O sucesso do livro originou um podcast documental homônimo produzido pela Rádio Novelo. Disponível no Globoplay, a série em áudio possui oito episódios roteirizados e apresentados pelo próprio autor. A produção aprofunda os relatos da obra literária para explicar as engrenagens do domínio paramilitar.



Essas perguntas ganham contornos ainda mais sombrios à luz da tradição de rupturas autoritárias que molda o constitucionalismo brasileiro. A maldição de Cassandra e o debate sobre os Projetos de Brasil no 2º turno das eleições presidenciais expressam essa tensão. A sina da profetisa grega — condenada a prever o desastre e ser ignorada — manifesta-se desde o nascimento da República, instaurada a partir do golpe militar de 15 de novembro de 1889, que extinguiu abruptamente o Brasil Império e a Constituição de 1824. Esse padrão trágico de subversão institucional repetiu-se na Revolução de 1930, que revogou a Carta de 1891, e no Golpe do Estado Novo de 1937, que anulou sumariamente a recém-promulgada Carta de 1934. Foi nesse contexto que se consolidou uma das expressões mais emblemáticas da subversão jurídica no Brasil: o Tribunal de Segurança Nacional (TSN). Criado por Getúlio Vargas em 1936, o TSN nasceu inicialmente para julgar os envolvidos na Intentona Comunista de 1935. Com a instauração da ditadura do Estado Novo em 1937, a corte foi desvinculada do Poder Judiciário comum e tornou-se o principal braço jurídico de repressão do regime, estendendo sua competência para julgar qualquer cidadão considerado uma ameaça política ou econômica ao Estado. Sua composição era híbrida e controlada pelo governo, misturando juízes civis com oficiais do Exército e da Marinha. Essa estrutura garantia julgamentos sumários, com prazos asfixiantes para a defesa, validando prisões preventivas prolongadas e aceitando como provas confissões obtidas sob severa tortura nos porões da polícia política de Filinto Müller. O tribunal funcionava de forma soberana e suas decisões não permitiam recursos a cortes superiores, o que eliminava as garantias do devido processo legal. O TSN foi finalmente extinto em novembro de 1945, após a queda de Vargas, mas seu modelo de subversão jurídica serviu de inspiração para a estrutura de perseguição que a Ditadura Militar reativaria décadas mais tarde, em 1964. Esse ciclo culminou no endurecimento ditatorial do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em 1968. O AI-5 materializou o período mais sombrio da ditadura militar brasileira ao subjugar o ordenamento jurídico ao arbítrio do Poder Executivo, transformando o texto constitucional em uma formalidade sem força prática. Ao cassar direitos políticos, fechar o Congresso Nacional, impor a censura prévia e suspender a garantia fundamental do habeas corpus, o regime anulou as liberdades civis e blindou o Estado contra qualquer fiscalização do Poder Judiciário. Essa ruptura institucional não apenas legalizou a violência de Estado e a repressão sistemática, mas também deixou cicatrizes profundas na história do país, servindo até hoje como o principal símbolo do autoritarismo e da supressão da democracia no Brasil. A linhagem que vai do TSN ao AI-5 revela um padrão: a criação de estruturas jurídicas de exceção que, sob aparência de legalidade, esvaziam o Estado Democrático de Direito por dentro. No cenário eleitoral contemporâneo, os avisos de historiadores e juristas sobre a fragilidade das garantias democráticas diante de discursos extremados operam como os clamores de Cassandra: alertas factuais e históricos que correm o risco de ser desprezados pelo eleitorado polarizado. Assim, o que está em jogo não é apenas a vitória de um candidato, mas a reincidente tradição latino-americana de solapar ordens constitucionais, que permanece como uma ameaça real e tragicamente subestimada no debate sobre o futuro do país.



“Quando dou comida aos pobres me chamam de santo; quando pergunto por que eles são pobres, chamam-me de comunista” — Irmã Dulce.



Depois de amanhã o Brasil decidirá se continua no caminho da Democracia, do desenvolvimento com inserção social, da independência nacional com Lula ou se mergulha na fossa do autoritarismo, do crime organizado, da submissão a Trump com Bolsonaro Junior. Que os brasileiros entendam o tamanho do que está em jogo e votem pela continuidade da democracia e pela soberania do Brasil, e contra os milicianos e traidores do país representados pelo Inominável Jr. e toda a sua família, que é herdeira da ditadura. Para quem ainda está indeciso sobre em quem votar, ou nem sabe se vai votar: não desperdice essa oportunidade. O seu voto faz parte das decisões que vão definir o futuro de milhões de brasileiros.


E, para quem rejeita o Lula unicamente por ser antipetista, ainda há tempo para repensar suas prioridades. O cenário político atual do Brasil não nos permite pensar apenas na nossa própria realidade. Enquanto alguns têm o privilégio de se preocupar apenas com suas preferências políticas, milhões de brasileiros ainda lutam pelo básico: comida na mesa, acesso à saúde, educação e dignidade. A política não afeta todo mundo da mesma forma. Uma decisão que parece distante para alguns pode significar a diferença na vida de quem mais precisa. Por isso, votar não deveria ser apenas sobre gostar ou não de um partido, mas também sobre compreender o que está em jogo para o país e para a população. Antes de decidir, olhe para além da sua própria realidade. Informe-se, reflita e pense nas consequências das suas escolhas. Porque a sua escolha não afeta apenas você. E a humanidade precisa pesar mais do que a rejeição a um partido.

Para encerrar, é preciso deslocar a discussão do campo da convicção para o da metodologia científica. Nas ciências sociais, a objetividade não equivale à ausência total de valores: o pesquisador escolhe seus problemas a partir de sua relação com valores, como já observava Max Weber. Contudo, ele deve separar, no processo de demonstração, a análise empírica do juízo normativo. Isso implica explicitar hipóteses, definir conceitos, usar dados verificáveis, admitir contraexemplos, submeter-se à crítica por pares e evitar o viés de confirmação. A ciência não decide qual projeto de Brasil é melhor — isso é debate político —, mas pode mostrar custos, benefícios, riscos e consistência empírica de cada projeto. Assim, em vez de perguntar “qual é o posicionamento político de cada acadêmico?” como um rótulo fixo, proponho uma reflexão pessoal: cada acadêmico deveria indagar em que medida suas escolhas teóricas e metodológicas são informadas por sua visão de mundo. O pesquisador alinhado ao projeto social-desenvolvimentista tende a enfatizar o Estado como indutor, o combate à desigualdade, a transição verde e a soberania tecnológica. O pesquisador alinhado ao projeto ultraneoliberal-conservador tende a enfatizar mercado, desregulamentação, eficiência fiscal, segurança pública e valores tradicionais. Nenhum desses recortes é cientificamente neutro por si, mas ambos podem ser investigados com rigor se suas premissas forem explicitadas e submetidas ao teste dos fatos. A reflexão pessoal que proponho a cada acadêmico é esta: 1) Minhas conclusões resistem a dados contrários? 2) Trato autores divergentes com seriedade ou apenas os caricaturizo? 3) Meu método permite replicação, crítica e revisão? 4) Estou disposto a separar minha preferência política da evidência que apresento? 5) Minha prática acadêmica fortalece a democracia, o pluralismo e os direitos humanos? Responder a essas perguntas não significa abandonar convicções, mas submetê-las à disciplina da dúvida metódica. O risco não é apenas escolher entre dois projetos de país, mas naturalizar rupturas autoritárias como destino. A lição de Cassandra é que alertas ignorados não são inevitáveis: a ciência pode transformar profecia em cenário e cenário em escolha. Que cada acadêmico, ao assumir seu posicionamento — se o assumir —, o faça com transparência, humildade epistêmica e compromisso com a crítica pública.

O caro leitor do futuro saberá qual caminho o Brasil tomou, podendo achar este texto revelador, reflexivo ou, quem sabe, inútil. O que realmente importa, além da participação democrática nas decisões nacionais, é a consciência plena de quais caminhos a coletividade vai seguir: se vai perder uma oportunidade histórica de desenvolver um projeto de nação soberano ou se, finalmente, assumirá o protagonismo de seu próprio destino. Quem viver verá, e contará esses dias de guerra digital aos seus filhos e descendentes.



Por fim, evoco as inúmeras conversas com meu saudoso e amado tio, o Dr. Sebastião Palmeira, cuja trajetória oscilava entre o nacionalismo dos anos 1960 e o conservadorismo adotado em seus últimos anos de vida, quando flertou com o bolsonarismo. Na juventude, participou ativamente da resistência à ditadura civil-militar de 1964, realizando pichações, integrando comícios e enfrentando a violência da repressão policial por meio de bombas de gás. Suas manifestações estendiam-se do brado 'Abaixo a ditadura!', em Anadia, ao 'Yankees go home!', em Brasília, em protesto contra a influência norte-americana no regime militar brasileiro.
Como estudante de Direito na Universidade de Brasília (UnB), vivenciou a violenta invasão da instituição em 29 de agosto de 1968. Na ocasião, foi detido na quadra de esportes junto a docentes e discentes de diversos cursos. Agredido com um cacetete no cotovelo, guardou o trauma da violência física e do medo severo daquele cenário de horror, que incluiu o desaparecimento de sua namorada durante os anos de chumbo. Diante dessas memórias, ele frequentemente me alertava de que aquela inquisição estatal poderia retornar.
Recordo-me, ainda, das primeiras orações que fiz na infância, nos anos 1980, junto a minha mãe e meu irmão, para que ele fosse nomeado Promotor de Justiça, concurso no qual havia sido aprovado nas primeiras colocações. Posteriormente, ingressou como Procurador de Estado e tornou-se pioneiro na Defensoria Pública do Estado de Alagoas. Contudo, persistia nele o temor de perseguição política, especialmente em decorrência de seus escritos de teor anti-imperialista. Em seus dias derradeiros, alertava-me com preocupação sobre o avanço das teologias do domínio e da prosperidade.

Referência

BATISTA JR., Paulo Nogueira. O Brasil não cabe no quintal de ninguém: bastidores do FMI e dos BRICS e a distração nacional. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: LeYa, 2021. 512 p.

BRASIL. Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968. São mantidas a Constituição de 24 de janeiro de 1967 e as Constituições Estaduais; O Presidente da República poderá decretar a intervenção nos estados e municípios [...], suspender os direitos políticos [...] e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1968. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ait/ait-05-68.htm. Acesso em: 14 out. 2026.


FILINTO Müller: o torturador sobre o qual não lembramos. Aventuras na História, 2021. Disponível em: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/filinto-muller-o-torturador-sobre-o-qual-nao-lembramos.phtml. Acesso em: 14 out. 2026.


WEBER, Max. A “objetividade” do conhecimento na ciência social e na política social. In: GERTH, Hans Heinrich; MILLS, Charles Wright (org.). Ensaios de sociologia. Tradução de Waltensir Dutra. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1982.


REVELANDO. O Brasil tem o mesmo molho. E eu não tô falando só... [S. l.]: YouTube, [2025?]. 1 vídeo (27 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=T3gZ6Nn7kZY . Acesso em: 18 out. 2026.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Dr. Sebastião José Palmeira





Honra   e   decência   são   os   legados deixados pelo meu pai, o Senhor de Engenho, Cícero Palmeira.

"Só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo!"

(Eça de Queiroz)



Data de Nascimento: 21.10.1942 - Local: Anadia / Alagoas

Filiação: Manoel Cícero Palmeira e Domitilla Palmeira

ESCOLARIDADE:

1.     Bacharel em Direito pela U.D.F. - Universidade do Distrito Federal, matrícula nº. 368/68, tendo colado grau em Brasília em  - 21.12.1972.

2.     Curso de Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas pelo Departamento de Comunicação da UnB., Universidade de Brasília , matricula  n.º .160/69 (não concluído).

3.     Curso  da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, - ADESG-AL. VII Ciclo de Estudos, tendo participado de encontros na Escola Superior de Guerra - ESG, no Rio de Janeiro inclusive do aniversário dos Quarenta Anos da Escola Superior de Guerra.

4.     Participou de vários Congressos Nacionais de Procuradores de Es1ado, bem assim, do Encontro Nacional de Advogados realizai do em Foz do Iguaçu-Paraná.

5.     Pós- Graduado em Processo Penal, ministrado pelo Professor e Criminalista Augusto Thompson - Brasília 1973.

6.     Pós -Graduado em Processo Civil, ministrado pelo Professor Marco Bernardes de Melo em convênio com a UFAL e a OAB/ AL.

7.     Participou da Semana do Ministério Público do Distrito Federal, promovido pela Associação do Ministério Público do Distrito Federal de 14 a 17 de abril de 1970.

8.     Participou de vários cursos promovidos pelo Comitê Nacional de Direito Comparado - Secção do Distrito Federal, sob os temas Direito Comparado e as súmulas do STF - (aproximações do Direito Comparado - Brasília 1971).

9.     Participou do II Encontro Alagoano do Ministério Público, tendo recebido o Título de Membro Nato do Ministério Público do Es ado de Alagoas, realizado em Maceió-AI., de 30 de junho  a 03 d julho de 1975.

10.  Participou do X Congresso Nacional De Prevenção De Acidentes do Trabalho, realizado em 1971, em Brasí1ia-DF.

ATIVIDADES PROFISSIONAIS:

1.     Ex-Adjunto de  Promotor  da  Comarca  de  Anadia,  que à época compreendia os Municípios de Anadia, Maribondo  e Tanque D'Arca, no período  de  1974 até  1978, nomeado  por Ato do Excelentíssimo Senhor Governador Afrânio Lages.

2.     Procurador do Estado de Alagoas, nomeado, em caráter efetivo, em abril de 1981, em face de ter sido aprovado em concurso público de provas e de títulos, realizado pelo Ministério Público do estado de Alagoas, para o cargo de Promotor de Justiça.

3.     Ex-Corregedor Geral da Procuradoria Geral do Estado de Alagoas.

4.     Ex-Conselheiro do Conselho Superior da Advocacia Geral do Estado de Alagoas, durante dois mandatos, totalizando quatro anos de exercício, tendo sido eleito e reeleito em processo eletivo com a participação e voto dos senhores Procuradores de Estado.

5.     Ex-Professor de Criminologia da Academia de Polícia Militar do Estado de Alagoas, Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (Capitães).

6.     Ex-Professor de Português e Literatura do Colégio Comercial São Domingos Sávio, Brasília DF, durante os anos de 1969/1970.

7.     Ex-Assessor Parlamentar do Gabinete do então Deputado Federal Oséas Cardoso, na Câmara dos Deputados, em Brasília, de março de 1968 até fevereiro de1969, quando o referido Deputado teve cassado seu mandato e suspenso os seus direitos políticos pelo Ato Institucional nº 5– (AI- 5).

8.     Advogado  militante  no  Estado  de  Alagoas,   com   atuação na área criminal, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Estado de Alagoas. OAB/AL. nº 975, desde maio de 1973.

9.     Eleito para o Conselho Seccional da OAB/AL, tendo como Presidente o Doutor Omar Coelho de Melo, com mandato até 31.12.2012. ( Licenciado do cargo).

10.  Ex-Presidente da 3ª Comissão de Acumulação de Cargos - C.A.C.,  nomeado por ato do então Governador  Geraldo Bulhões.

11.  Diretor-Geral da SEUNE- Sociedade de Ensino Universitário do Nordeste, sendo seu idealizador e fundador.

 

 

HONRARIAS E TÍTULOS RECEBIDOS:

 

1.     Membro Efetivo da Academia Maceioense de Letras, ocupante da cadeira nº.25, empossado em 13 de junho de 2007.

2.     Membro da Associação Alagoana de Imprensa, tendo recebido a Comenda Jornalista Noaldo Dantas.

3.     Foi agraciado com o "Prêmio Amigo da Juventude Líder Marden Antonio - Uma Homenagem da Secretaria de Articulação - Núcleo da Juventude" em 19 de março de 2005.

4.     Recebeu o TROFÉU IMPRENSA 2001, 2002 e 2004, patrocinado pela Tribuna de Alagoas.

5.     Recebeu do Conselho Regional de Contabilidade de Alagoas (CRC), em 31 de agosto de 2007 o "Troféu Diamante Contábil", no aniversário de 60 anos de História do referido CONSELHO.

6.     Agraciado com a Comenda Poeta Jucá Santos, conferido pelo Sindicato dos Escritores do Estado de Alagoas.

7.     Agraciado pela Academia Maceioense de Letras com a Comenda Jornalista Jalmery Fernandes Reis.

8.     Recebeu a Comenda do Mérito Literário da Academia Maceioense de Letras.

9.     Agraciado com a Comenda Poeta Cavalcanti Barros, nos 52 anos da Academia Maceioense de Letras.

10.  Foi homenageado com a Comenda Francisco Guilherme Tobias Granja, durante a comemoração dos 12 anos do JORNAL EXTRA, em 12 de novembro de 2010.

11.  Cidadão Honorário de Maceió, título este concedido pela CAMARA MUNICIPAL DE MACEIO, conforme Decreto Legislativo nº 399/2007.

12.  Recebeu a Medalha Embaixador Sérgio Vieira de Mello, outorgada pelo Parlamento Mundial para Segurança e Paz, Organização Intergovernamental com Sede em Palermo, na Itália, em 07.09.2009.

13.  Colaborador do Jornal Extra, para o qual escreveu e escreve artigos e poemas de sua autoria.

14.  Recebeu em 19 de maio de 2007, a Medalha Amigo da Defensoria Pública conferida pelo Dr. Eduardo Antônio de Campos Lopes, Presidente do Conselho Superior da Defensoria Pública do Estado de Alagoas.

15.  Recebeu da Real Academia de Letras com sede em Porto Alegre- Rio Grande do Sul, o Título de Cavaleiro Grã-Cruz, em 2011. Maceió, 15 de maio de 2014.

 

SEBASTIÃO JOSÉ PALMEIRA

 

Nasceu na cidade de Anadia, Estado de Alagoas, no dia 21 de outubro de 1942. Filho de Manoel Cícero Palmeira e Domitilla Palmeira. É Bacharel em Direito pela Universidade do Distrito Federal - Brasília; É formado em Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas pelo Departamento de Comunicação da Um. B-Universidade de Brasília; Tem o curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra -ADESG-Al. ;participou de vários congressos Nacionais de Procura­ dores de Estado e do Encontro Nacional dos Advogados, em Foz de Iguaçu-Paraná; É pós-graduado em Processo Penal; possui o curso de Pós-Graduação de "Teoria do Fato Jurídico" ;participou da Semana do Ministério Público do Distrito Federal entre outros congressos e encontros  nacionais .É  Procurador do  Estado de Alagoas  e atualmente é  Diretor  Geral da SEUNE - Sociedade de Ensino Universitário do Nordeste, sendo seu idealizador e fundador. Essa entidade mantém os cursos superiores de DIREITO, CIÊNCIAS CONTÁBEIS, ADMINISTRAÇAO  E ENFERMAGEM. É MEMBRO  EFETIVO  DA ACADEMIA MACEIOENSE DE LETRAS, sido o vice-presidente.

 


PAIXÃO POR MACEIÓ

 

Maceió eu amo você,

Você é o meu bem querer,

A minha eterna paixão.

 

Gosto de contemplar

O verde azul do seu mar,

Quando a tarde vai sumindo,

Quando a noite vem caindo,

Unindo o céu e o mar.

 

No eterno balançar

Das palhas dos seus coqueiros

Vem a lua carinhosa

Mansamente se abrigar.

 

Os amantes buscam o mar

E fazem juras de amor.

Juras como essas eu as fiz outrora,

Como fazem os amantes de agora

 

DUAS SANTAS

 

Quando eu era bem pequeno,

Via minha mãe rezar,

Confesso que era uma santa

A outra santa implorar.

 

A sua fé era tanta

Que dava para acreditar,

Ser uma santa na terra

Aos pés da santa do altar.

 

A Salve-Rainha a rezar,

Seus lábios me ensinaram

A Maria venerar.

 

Hoje eu tenho duas santas a rezar,

Minha santa mãe no céu

E a virgem santa do altar.

 


PARA O MEU FILHO MARX

 

I

Recordo o dia em que você nasceu,

Era uma tarde de outubro e

O céu rubro de Brasília

De tanta luz se incandesceu.

II

E de repente eu me vi seu pai,

Pai de uma linda criança,

Que me encheu de alegria

E de esperança.

III

Marx significa grande e Andrey Zakharov

foi Prêmio Nobel da Paz.

Foi desse binômio meu filho

Que nasceu o seu nome.

 

 

LANA

 

 

Como o tempo passa depressa!

Ontem, a criança meiga e dengosa.

Hoje, a mestra, a esposa, a mãe carinhos

 

II

Tudo mudou. tudo passou.

menos as lembranças que guardamos das horas felizes que passamos.

Momentos felizes que vivemos não se apagarão jamais e ficarão

gravados no meu coração,  para sempre como os desta  foto que  me serviu de inspiração.

 

III

 

Feliz aniversário minha  filha! Deus te abençoe hoje e sempre beijos do pai que te ama demais.

 

 

Maceió, 20 de marco de 2008.

 

 

PARA MEU FILHO DAVI

 

I

Davi, você chegou na minha vida,

Como um raio de sol numa tarde caído

Quando o crepúsculo já anunciava

O ocaso existencial de uma vida.

II

Você veio me fazer companhia,

Trazer-me mais alegrias,

Iluminar os meus  dias,

Qual estrela de DAVI,

Cuja luz e brilho cintilam e irradiam

III

DAVI dos salmos e dos cânticos,

DAVI de Deus o escolhido

Para Rei de Israel, pelo profeta urgido.

 

DAVI, EU AMO VOCÊ!

 

 

 

INFÂNCIA

Dedicado à minha filha Lana

 

Criança, viva a fantasia colorida da infância

A vida é vã

O futuro incerto

E nem tudo na vida é poesia.

I

Verá um dia

Com o passar do tempo

Que a infância foi uma linda fantasia

E o futuro, a cruel realidade envolta em utopia.

III

Só ma1 tarde então compreenderás

Que a infânc1a que passou fugaz

Rolou no tempo e não volta nunca mais.

IV

E. assim. viva intensamente  esse presente

Pois a infância tem a duração da flor de um dia

Que brotou, florou. despetalou e murchou

Na primavera de um tempo que não voltará jamais.

 

 

PAIXÃO POR MACEIÓ

 

Maceió. eu amo você.

Você é o meu querer,

A minha eterna paixão

II

Gosto de contemplar

Overde azul do seu mar.

Quando a tarde vai sumindo.

 Quando a noite vai caindo.

Lindo o céu e o mar.

III

No eterno balançar

Das palhas dos seus coqueiros

Vem a lua carinhosa

Mansamente se abrigar.

IV

Os amantes buscam o mar

E fazem juras a de amor.

Juras como essas eu as fiz outrora.

Com fazem os amantes de agora.

 

ANADIA, A TERRA EM QUE NASCI

 

 

Entre montes e terras eu nasci, 

Nas serranias e vales me criei,

Foram tantos os lugares que andei.

Mas não esqueço da terra onde nasci.

 

II

 

A casa em que morava.

A mãe meiga e carinhosa.

A Igreja da matriz

E o grupo Escolar "'Rui Barbosa".

 

III

 

As aulas de catecismo.

Os amigos da infância.

Ficaram na memória,

São partes da minha história.

 

IV

 

A filarmônica tocando,

O grande "mastro" chegando. 

As crianças na carreira e o sino

Anunciando a festa da padroeira.

 

V

 

Do alto da Procissão,

Majestosamente olhando,

Ia a Virgem da Piedade 

A todos abençoando.

 

 

 


NINHO

 

I

Eu vi um passarinho

Construindo o seu ninho

Com muita habilidade

Sobre um semáforo da cidade.

 

II

lá é vinha o passarinho.

Carregando no bico

Pedaços de palha seca

Para fazer o ninho

III

Julgando o lugar seguro,

Indiferente ao barulho

Preparava o ninho

Para abrigar os filhinhos.

 

 

 

O ENGENHO BOA VISTA

 

 

Que lindo tempo aquele

Em que eu era criança.

Guardo de minha mãe só lembranças.

Lembranças do que passou.

 

II

 

Passou e deixou saudades.

Saudades da minha  infância.

Do meu pai muitas lembranças.

De minha mãe muito amor.

III

Daquele lar já distante.

Eu recordo a cada instante.

Na saudade que restou.

 

IV

 

Boa Vista tempos idos, infância da minha vida

Recordo os dias vividos.

Na saudade que ficou.

 

V

 

A mata se enchia de flor.

O cafezal de perfume,

Os passarinhos soltavam queixumes

De suas mágoas de amor.

 

VI

 

O entardecer era lindo.

Os gansos vinham cantando.

À noite se aproximando,

Era mais um dia findo.

 

VII

 

Adeus infância querida,

Adeus passado distante,

Minha alma enternecida te recorda a cada instante.

 

 

 

  

CASTELOS DE AREIA

 

I

Construí os meus castelos

Na areia branca do mar,

Foram castelos tão lindos

Que me fazem recordar,

 

II

 

O imenso azul do mar,

Quando com minha mãe,

Fui pela primeira vez contemplar.

 

III

 

Contemplei embevecido

Aquele oceano hígido,

Aquela orquestra insana,

 

IV

E como uma sintonia  tocando, 

As águas iam e vinham cantando,

Aos meus pés brincar comigo.

 


DUAS SANTAS

 

I

 

Quando eu era bem pequeno,

Vi minha mãe rezar,

Confesso que era uma santa

A outra santa implorar.

 

II

 

Sua fé era tanta

Que dava para acreditar,

Ser uma santa na terra

Aos pés da santa do altar.

 

III

 

A Salve-Rainha a rezar,

Seus lábios me ensinaram

À Maria venerar. 

 

IV

 

Hoje eu tenho duas santas a rezar,

Minha santa mãe no céu

E a virgem santa do altar.

 

 

 

 

MINHA TERRA

 

 

I

 

Todos cantam a sua terra

Eu resolvi cantar melhor

A melhor terra do mundo

É a minha Maceió.

 

II

 

Maceió tem mulheres belas

Louras, mulatas, morenas canelas

Com suas cores bronzeadas

Formam uma linda aquarela.

 

III

 

Terra de coqueirais selvagens

Com açúcar e doce mel

Em suas ricas paragens

A terra parece o céu.

 

IV

 

Venha conhecer Maceió

 O paraíso das águas

Venha cantar comigo

Venha cantar melhor.

 

 


DETERMINISMO

 

 

I

Não te desesperes porque é em vão.

Não te atormentes porque a vida é luta.

Não busques a glória na competição,

Porque há nesta uma força oculta e injusta.

 

II

Contenta-te com o quotidiano mesquinho e vilão,

E deixes que a vida siga o seu curso prescrito,

Pois, há no curso desta um determinismo estrito,

Que anula qualquer esforço e que abafa qualquer grito.

 

III

 

Quando te desesperares, contemples os campos floridos e

Os lírios em botão, e veja como é belo o oceano e que

Há, também, neste, revolta e agitação.

 

IV

 

Os nossos destinos são sempre moldados e esculpidos em

Uma grande pedra de sabão e o escultor, muitas vezes,

Quando os faz, os faz sem alma e sem coração.

 

V

Por isso, meu amigo, o teu desespero é em vão e a tua

Revolta um desperdício.

Assim, não busques no sacrifício em vão da tua luta, a Impossível paz da perfeição.

 

 

 

ALAGOAS

 

 

I

Sou Palmeira da terra dos coqueirais,

Onde a tarde na laranjeira canta os sabiás

De onde a Asa Branca bateu asas

E não voltou nunca mais.

II

Sou da terra dos marechais,

Do Proclamador da República

E do Marechal de Ferro,

Que não fugiram à luta,

Não traíram a Pátria,

Que nos encheram de ufanismo

E nos deixaram lições de patriotismo.

 

III

 

Sou conterrâneo de Deodoro e de Floriano,

Com muito orgulho,

Sou Alagoano.

 

 

QUANDO TE VEJO

 

 

I

Vejo-te sempre mais bela e fascinante,

Teu corpo sensível e desejante,

Enche-me cada vez mais de desejos por teus beijos.

II

Meu coração sombrio e ofuscante

A tua alma vive a implorar constante,

Meu ser a teu ser vive a querer,

Meu coração por teu amor vive a morrer.

 

III

Quando te vejo quanta ânsia sinto,

Quanta amargura, quanto amor pressinto,

Quanta vontade de beijar-te tenho,

Mas, enfim, Olho, medito

E me contenho.

 

 

DESPEDIDA

 

I

Quando chegar o momento derradeiro

E sobre o travesseiro eu exalar o meu último suspiro,

Quero que estejas ao meu lado,

Antes da partida para o meu último abrigo.

II

Que a tua lágrima de dor sirva de contentamento,

Para relembrar os momentos de amor que vivemos

Juntos nesta vida,

E que eu possa te dizer, querida,

Fostes tu o grande amor da minha vida.

 


 


VOCÊ

 

I

És tudo que sonhei na vida,

O que tive e o que não tive antes de ti,

És a minha vida, o meu céu, o meu passado,

És o sol dourado que enfeita o meu porvir.

II

Antes de ti

Eu tive tudo e não tive nada.

Tu chegaste com as tuas mãos de fada

E fizeste da minha vida antes desamparada

Um céu dourado onde canta o juriti.

III

És amor, sonhos e perfumes, És a flor tema e altiva,

Que a brisa despetala em queixumes.

IV

Tens na voz as cantigas eternas do mar,

Nos teus lábios há o doce gosto do araçá.

O teu corpo é o sonho bom que eu sonho,

E que tenho medo de acordar...

 

 

 

PRECE

 

I

A tarde morria

E as sombras se apagaram, A noite descia

E as aves murmuravam.

II

Chega à noite!

E agora as aves descansam...

O céu é calmo!

E no açoite do vento

Descamba pálida uma estrela no horizonte.

III

E então, no clamor da noite, baixinho

Há alguém que reza em pranto,

É a mãe aflita pelo filhinho,

Que não o vê que sabe há quanto.

IV

E o vento lhe sussurra  brando,

Como a dizer- lhe que por entre o pranto,

Esconde-se o filho que ela não vê a tanto ...

 

 

  

DESESPERADAMENTE

 

I

Teu amor me fez poeta!

Teu nome é a oração que repito todos os dias,

Meus lábios em uma eterna prece de harmonia,

Vive a chamar-te desesperadamente...

 


PALMEIRA, Sebastião José (Anadia - AL 21/10/1944). Escritor, professor, poeta, advogado, Procurador de Estado. Filho de Manuel Cícero Palmeira e Domitilla Palmeira. Graduado em Direto na UNB (1972) e, também, na mesma Universidade: Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas. Pós-graduou-se em Processual Penal e Civil. Corregedor-geral e Procurador do Estado da PGE-AL, tendo atuado na Comarca de Anadia. Membro do Conselho Superior da Advocacia Geral do Estado. Professor de Criminologia da Academia de Polícia Militar. Professor de Português e Literatura do Colégio Comercial São Domingos Sávio, Brasília-DF. Assessor parlamentar do Deputado Federal Oséas Cardoso. Diretor-geral da SEUNE-AL. Membro da AML. Membro da APHLA Internacional onde ocupa a cadeira nº 02 cujo patrono é Heráckito Fontoura Sobral Pinto, sendo, também, seu presidente emérito. Sócio da AAI. Colaborador do Jornal Extra. Obra: Quimeras - Poesias, Crônicas e Artigos, ?, ?, 2014. Participou com Uma Noite de Amor, Meu Pai, Engenho Boa Vista e Duas Santas, in Antologia Valores de Minha Terra, Francinúbia Farias Gomes, Maceió: Magazine Destaque, 2014, p. 184-187, 188-190, 191 e 192, respectivamente.


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