ALAGOAS UTÓPICO!
Jefferson Murilo Palmeira Chaves[1]
“Sonhar é ilusão, o mundo inteiro diz. Porém,
de ilusão vive a humanidade. Se existe a ilusão felicidade, eu quero me iludir
para ser feliz! Uns dizem que a felicidade mil sonhos prediz. Outros a tem como
futilidade. Eu, porém, na realidade, jamais vi desfeito os sonhos que já fiz!”.
SONHAR.
Maria do Carmo Palmeira Chaves.
Não seria inteligente, nem muito menos sensato, em
plena época de pleito eleitoral, (2014) redigir qualquer esboço teórico, a
respeito de uma utopia para Alagoas. Nem muito menos tocar em temática como:
Identidade, autoestima coletiva e as chagas sociais, que são seculares. Mexer com parte das representações que
simbolizam a síntese de um povo e seus pactos de poder, não é uma tarefa fácil.
É bem verdade que escrever essas linhas, ainda que seja um comentário
superficial, sem o rigor metodológico acadêmico, pode não ser bem vista e bem
recebida tanto pela critica, quanto pelos envolvidos. Seja por omissão e receio
de revanche, evitei durante anos tal tarefa. Talvez, foi minha lucidez e a
maturidade acadêmica, que me fizeram romper o silêncio. O ato de “pensar” em Alagoas, não é dos mais “salutares”.
Digno dos mais audaciosos, corajosos e sonhadores. Assim, correndo o risco de “pensar”
esbocei esse artigo. Pois, apreendi, com meu avo materno de saudosa memória,
(Manuel Cícero Palmeira) que omissão é crime grave! E o medo é uma doença!
Deixamos claro aqui, que tal explanação estar posta,
sem palanques políticos, ideológicos ou quaisquer interesses econômicos e pessoais.
Não se visa aqui, destacar, atacar ou denegrir quaisquer que sejam. Muito menos
exaltar, mistificar, qualquer vulto político, recente ou antigo. O leitor
amigo, não verá nenhuma “tese”, questionamento, posicionamento nem propostas
inéditas. Portanto, não encontrará quaisquer novidades, que não tenham sido
vistas, comentada, apresentada ou explanada por outro questionador. Todavia, não
temos a intenção de sermos uma “metralhadora giratória” dos prováveis “erros”
seculares de nossa sociedade. Trata-se da opinião de um cidadão/historiador/
ser pensante/docente que é um formador de opinião. Diante dos problemas
cotidianos, visíveis, invisíveis e gritantes, resolvi aderir o desafio de escrever
essas poucas linhas. Mesmo que você caro leitor, não concorde inteiramente com
os rumos deste texto, uma coisa é certa. Existe uma onda crescente de
insatisfação, descredito, insegurança, e desestimulo com relação ao poder, e o gerenciamento
da maquina pública. Tanto no tocante as necessidades, anseios e sonhos da coletividade,
quanto no modelo representativo da democracia liberal. Faz tempo que o estado
não é sensível aos apelos populares. Cá entre nós. Será que algum dia o foi?
Assim, os convido a acompanhar meu singelo raciocínio.
Salvaguardando algumas mentes brilhantes em Alagoas. Falta-nos lucidez para
compreender o que somos? De onde viemos e para onde vamos? Existe um “projeto
de povo” construído e mantido durante séculos? Que projeto de povo somos nós
alagoanos?
Parafraseando as palavras de Darcy Ribeiro, somos um
resultado residual da nossa História. Desde inicio da ocupação e invasão do
território alagoano, pelos europeus,
sempre existiram “projetos para o futuro”. Projetos
que na verdade mascaravam as intenções de dominação. Escravizar o povo e conseguir capital, essa
era a intenção. Viver do trabalho de outro, é o ideal máximo aristocrático
alagoano, cuja reprodução é secular. Não se pode negar a influencia de uma
cultura secular de mando/subserviência/dependência/submissão (cultura da dádiva)
que convivem parte significativa da população nos 102 cidades do estado. Os que
chamamos de “pobres” são na verdade os decentes dos excluídos pelos projetos
individuais durante séculos. Seria exagero afirmar que o nosso
“conservadorismo” politico ideológico prega que “não existe salvação fora do sistema
de mando e subserviência”?
Vale salientar que não toquemos aqui, no fenômeno da
concentração de riquezas atualíssimo, nem muito menos nas vinte poucas famílias
que dominam a localidade. O imperativo
por essas bandas do mundo, sempre foi gastar e usufruir, desde as
potencialidades humanas aos recursos naturais. Eis, que na verdade sempre fomos
uma “feitoria lucrativa”. Enquanto a cada ano o numero de favelas, e sub
moradias crescem assustadoramente, a violência urbana aumenta. O avanço do “narconegócio” evolui. A juventude é
recrutada tanto para a dependência, quanto para o mercado de trabalho no
submundo das drogas. Em Alagoas não existe nenhuma cabeça de boi abandona. Mas
existem muitas crianças largadas à sorte! Desemprego, subemprego, pobreza,
prostituição, alcoolismo e maltrato corroem a célula mate que é a família
(parentesco, mito e rito). Reconfigurada, mudada e moldada sobre reflexo das
injustiças da “modernidade liquida”.
Não toquemos aqui em outras chagas como, por exemplo:
Questão social, educacional, econômica, racial, indígena, agrária, habitacional
das chamadas “minorias”.
No decorrer do tempo a maquina pública de Alagoas
esteve a serviço e em prol e realização dos projetos privados. Sonhos
individuais de riqueza e sucesso sempre prosperaram. Tais projetos de classe
jamais foram os únicos. Muitos movimentos cujos sonhos coletivos que abalaram a
vida provincial de Alagoas. A Confederação do Equador, a Cabanada, a revolução
praieira. Seja das brigas dos antigos dos coronéis (Lisos e Cabeludos, por
exemplo), á pistolagem atual de cada dia, Alagoas sempre foi um lugar violento.
Guerras civis locais, tão bem estudadas e relatadas por intelectuais de peso
como Dirceu Lindoso, e Sávio de Almeida entre outros.
Então seriamos uma das sociedades mais violentas do
mundo? Seria a violência alagoana, também resultado das velhas lutas sociais? Seria
a violência uma forma de legitimar as ações das elites? O alagoano é pacifico e
passivo? Ate aonde vai à passividade? A história de cordialidade, mansidão,
subserviência estaria escrita com o sangue dos oprimidos, dos vencidos e mortos
de cinco séculos? Não se pode negar que o uso da violência estrema sempre
esteve presente na vida social alagoana. Aos desavisados. Temos sim, muitas
lutas, guerras e preitos historicamente marcados pela violência
institucionalizada. Infelizmente, adquirimos o estereotipo no cenário nacional
associado à violência e a corrupção. Alagoas sempre foi palco de conflitos e
sua fama de terra violenta correu o país. No meu ponto de vista, as lutas pela
posse dos meios de vida, deixaram cicatrizes no tecido social. Sendo a violência uma delas. Nem iremos aqui
traçar uma “cronologia da violência” no estado. Para tal, faço uma
recomendação. Observem os trabalhos de Ruth Vasconcelos. Acredito que se faz
necessário rescrever os livros didáticos, fazer novas leituras do passado, e
mostrar o grito dos esquecidos. Nossa memoria coletiva existe muitos mitos
errôneos.
A FORÇA DA
UTOPIA
De onde reside a força e a motriz de uma utopia? O
tempo da utopia acabou? Acabou a imaginação utópica? Onde estão as cabeças
utópicas alagoanas? Seria utopia sonhar, em uma terra mais justa? Será que
faltam na política nacional e local a criação de um sonho coletivo? De um
projeto de povo, que rompa com as ilhas dos interesses pessoais e dos grupos
fechados? Temos motivação para que nos orgulhemos de ser alagoanos? Somos
motivo de chacota nacional? Temos lideranças políticas comprometidas com a
população? Qual poder da utopia na transformação do mundo?
Se o conceito de utopia já definiu muitos projetos de
sociedades humanas perfeitas, hoje, precisamos nos contentar, com conteúdos bem
mais modestos: “Um projeto politico concreto” para resolver questões atuais da
sociedade alagoana. Sabe-se que a força
da utopia vem da imaginação dos insatisfeitos, dos marginalizados, da vontade
de uma vida menos desigual, de um aparato total que ampare cuide dos seus
filhos.
Quais as origens da utopia no pensamento e praticas
humana? Suas origens repousam nos mitos da criação próprios do homem religioso.
O utópico estava associado com as eras dos mitos e das religiões, em que os
deuses e as forças da natureza mantinham o controle sobre a humanidade. Com o
renascimento aparece a Utopia de Thomas Morus. Obra na época em que o pensamento
racional e cientifico oferece autonomia e controle a espécie humana de seus
destinos.
Vale salientar que a Utopia foi um país imaginário,
criação de Thomas Morus, escritor inglês (1480-1535), onde um governo,
organizado da melhor maneira, proporciona ótimas condições de vida a um povo
equilibrado e feliz. Para Thomas More, utopia era uma sociedade organizada de
forma racional, as casas e bens seriam de todas as pessoas, que passariam seu
tempo livre envolvidos com leitura e arte, assim esta sociedade viveria em paz
e em plena harmonia de interesses. Utopia é o nome da ilha inventada pelo
inglês Thomas More, em 1516. Darcy Ribeiro afirmava que a obra teria sido
inspirada nos relatos dos viajantes regressados do Brasil. Assim, caro leitor o
paraíso era aqui!
Acompanhando o sentido de utopia na história podemos
destacar as forças: Da ideia do direito divino dos reis, pondo fim ao período
medieval.
A democracia liberal inventada pelos franceses e disseminada
pelos americanos nasceu a partir de utopia Constitucional ou Institucional que
atinge seu limiar nas revoluções burguesas – Industrial, Francesa, Religiosa e
Americana. Encontrando no liberalismo uma antiutopia. Podem-se citar aqui os
sonhos de Augusto Comte - com seu positivismo.
Ou as três matrizes do pensamento científico da sociologia clássica – Durkheim,
Karl Marx e Max Weber – de se idealizar um modelo de sociedade.
Com a utopia de liberdade contra a escravidão e
opressão que se construiu o Quilombo dos Palmares, aqui em nosso estado. Sonho
destruído pelo paulista Domingos Jorge Velho em 1694. Do sonho abolicionista
inglês, de criar um mercado consumidor na América, aconteceu a Abolição da
escravidão no Brasil. Do sonho de jovens nacionalistas ocorre a “revolução” de
1964. Mas recentemente, em julho de 2013, o Brasil pode sentir o poder e a
força de mobilização e comunicação das redes sociais – Facebook, WhatsApp, Google+,
Tumblr entre outras. Convocados milhões foram às ruas em busca de um sonho em
comum. Não vamos procurar mais
exemplos na história para convencer o estimado leitor do poder transformador da
utopia. Da necessidade faz nascer à utopia.
A força motriz de uma utopia reside na esperança de um lugar melhor. Na
força mudança, em moldar, criar, idealizar um projeto de futuro. Já dizia Santo Agostinho em a “Cidade de
Deus” que povo consiste em um conjunto de pessoas racionais unidas por um sonho
em comum. Assim, é preciso que as pessoas em Alagoas tenham um sonho em comum.
No sentido geral, o termo Utopia
é usado para denominar construções imaginárias de sociedades perfeitas, de
acordo com os princípios filosóficos de seus idealizadores. No sentido mais
limitado, significa toda doutrina social que aspira a uma transformação da
ordem social existente, de acordo com os interesses de determinados grupos ou
classes sociais. Para que isso ocorra, se faz necessários que
abandonemos nossos projetos mesquinhos, individuais, e fiquemos encantados pelo
sonho absoluto de rescrever e redigir nossos destinos como povo. Vale aqui ressaltar que a Lei da Ficha Limpa
nasceu do sonho (“utopia”) e anseios populares. O leitor amigo via se indagar:
Será que essa lei vai pegar?
UM PROJETO DE POVO?
Sem quaisquer provocações, ou desconstruções, faço as
seguintes indagações: Será que a maior
utopia alagoana é pensar que somos um “povo”? Temos autoestima? Sem querer
provocar todos os intelectuais conterrâneos, temos orgulho bandeiras de
Alagoas? Nossa bandeira tem história de lutas, pela liberdade, por ideais coletivos?
Somos verdadeiramente um povo do ponto de vista de sonho coletivo? Antes de
tudo, vou explicar meu posicionamento. Utopia é inventar, sonhar e projetar um
estado, um país que se quer. Que se sonha! Que se precisa! Muitas vezes, tenho
a sensação que ainda não somos um povo. Do ponto de vista de sonharmos
coletivamente. É bem verdade que sou extremamente utópico. Parafraseando Rubens
Alves, o maior defeito da política brasileira é que ainda “não somos um povo”!
No sentido de possuirmos ideias coletivas. Tais quais levaram multidões as ruas
em julho de 2013.
Qual seria a “saída” para alagoas? Os mais sarcásticos
e gozadores falariam que a “saída” seria a rodoviária e o aeroporto zumbi dos
palmares, ou as estradas estaduais e federais. Uma coisa é certa. Temos muitos
talentos, capacidades e nomes de respeito em todas as áreas. Existem heróis
anônimos trabalhando cotidianamente, transformando a realidade. Ainda acredito
nas lições dos meus pais, dos meus avós, do meu tio de que vale a pena ser
honesto. Ser bem sucedido não é ostentar um alto padrão de consumo e aparente
sucesso. Ensinaram-me que o ser, a essência, vale mais do que o ter, capital,
posses. Presamos ter orgulho, ter autoestima. Faz-se necessário melhorar nossa autoimagem. Deixemos
o “complexo de coitadinho”, cuja ambiguidade crônica escode armadilhas.
As classes privilegiadas sempre escrevem e rescrevem
projetos para nós. Desde colonizador – enganando os índios mentindo que
levariam estas aos céus e na verdade iriam ser vendidos, aos dias atuais. Se
bem que existem aqueles que vendem um céu na terra. Ou a “teologia da
prosperidade e da riqueza imediatista”.
O homem pós-moderno consumista, apaixonado pela novidade, não pode se
dar o luxo de esperar um céu, no pós-morte. Hoje estar posto no mercado a venda
até a esperança, o consolo, o apoio e a compaixão!
Nenhum povo sabe adivinhar o que será do seu futuro.
Mas se pode esboçar e inventar um projeto para o futuro. Alagoas representa um
povo novo mestiço, cuja matriz humana é repleta de potencialidades. Nosso povo precisa sonhar! Temos de ter a
coragem de nos questionar constantemente, abertos a observação minuciosa de
nossas realidades, a luz de uma consciência coletivamente alagoana. Coisa que
nossos sociólogos, antropólogos sempre fazem. Mas, todavia, poucos ouvem!
Precisamos de novo passo para o futuro. Nossa bandeira maior deve ser o combate
das nossas chagas socioambientais.
Combate à corrupção, ao analfabetismo, a subnutrição, ao saneamento básico,
a um sistema de saúde público e gratuito de qualidade. Devemos levantar essa
bandeira com dignidade, com honestidade a vida inteira. Eis uma grande bandeira
de luta, abolir a corrupção! Não sejamos tolos de esquecer que existe uma
odiosidade feroz, terrível, das velhas classes dominantes. Das dezenas que foram
mortos e torturados.
De todos os traços culturais brasileiros, que são mais
acentuados em nossa terra. Podemos citar: A concentração de poder; o
personalismo; a postura de espectador o medo; O silêncio e a omissão. O “jeitinho”
brasileiro se confunde com corrupção e é transgressão, porque ela desiguala o
que deveria ser obrigatoriamente trado com igualdade.
Sou filho da contra revolução preventiva (cujo
conceito repousa nas obras de José Paulo Netto) patrocinada pelos irmãos
norte-americanos durante a histeria da guerra fria. Onde se temia que a fome no
Nordeste, a fome no Brasil, levasse o País a toma-se um caminho socialista. Um
golpe estrangeiro, financiado que souberam subordinar nossos generais, políticos
e empresários em prol de um projeto de submissão da nossa nação aos interesses
do grande capital mundial.
Será que podemos falar em utopia diante da realidade
brutal do mercado e do sistema desigual secular? Como satisfazer necessidades
elementares do povo? Emprego, saúde, segurança, educação, cultura, lazer
decentes e eficientes seria impossível? Como explicar Alagoas pós-moderna? Onde
reside o clamor utópico do povo alagoano? Será que o povo alagoano deu certo?
Quem deve ser administrador dos sonhos do povo alagoano? Como encontrar formula
de organização social que privilegiem o coletivo?
Descrever nossa história marcada por absurdos
gloriosos seria perceber a situação trágica do povo alagoano. Observa-se a
ausência de sonho coletivo, um projeto unido o povo. Sempre existiram projetos
para gastar o povo alagoano. Alagoas é um subproduto do mercado global,
somando-se com as peculiaridades cruéis.
Não podemos negar nossas raízes e matrizes ameríndia e africana. Assim,
em nossa memoria coletiva existem muitos mitos errôneos, que necessitam ser
corrigidos.
Hipotecam nosso futuro, nossas possibilidades.
Roubaram nossos sonhos! Sempre produzimos açúcar para adoçar a boca do mundo!
Enquanto as nossas estão amargas. A meu ver, a questão da identidade associada
a uma utopia coletiva é um dos maiores desafios.
Faço uso das palavras de Gregory Claeys “para prover maior continuidade a nossas
breves vidas, imaginamos passados e futuros que se ajustam na narrativa do
presente que consideramos mais confortante. Quando nossas vidas neste mundo se
deterioram ou são ameaçadas, reagimos cultivando um sentido reforçado de
harmonia familiar e identidade étnica, nacional e/ou religiosa”.
Graças ao Professor Luiz Sávio de Almeida, eu conheci às
três leituras fundamentais para o entendimento da nossa formação histórica,
política, social e econômica. As obras de Caroatá, Dias Cabral, Pedro Nolasco
Maciel. Além de Wenceslau de Almeida, João Ferro, Francisco de Paula Leite e
Oiticica e Théo Brandão, e tantos outros.
Tive o privilegio de ler ao longo da minha formação
acadêmica, os teóricos clássicos que buscaram o entendimento das nossas raízes.
Dos quais posso citar: Gilberto Freyre, Manuel Diégues Júnior, Florestan
Fernandes, Celso Furtado, Sergio Buarque de Holanda, Victor Nunes Leal, Luiz da
Câmara Cascudo, Roberto DaMatta, José Murilo de Carvalho entre tantos outros. Vejo
quase sempre os estudiosos da realidade alagoana. Nomes dos quais gostaria de
aqui citar: Manuel Correia de Andrade, Moacir Medeiros de Sant'ana, Douglas
Apratto Tenório, Dirceu Lindoso, Luiz Sávio de Almeida, Élcio
Verçosa, Sebastião Palmeira, Fernando José de Lira, Cícero Péricles, Luiz
Antônio Palmeira Cabral, Alberto Saldanha, Araken Alves de Lima, Cícero
Ferreira de Albuquerque, Amaro Hélio Leite da Silva, Jair Barbosa Pimentel,
Ruth Vasconcelos, Elaine Pimentel, Leda Almeida, José Roberto dos Santos Lima, Lana
Palmeira, José Ferreira Azevedo, Ana Cláudia Laurindo, Ivo Tonet, Sérgio Lessa, Belmira Magalhães, Arrisete
Costa, entre tantos outros estudiosos, que por esquecimento e omissão deixo de
citar aqui. Não poderia de deixar aqui de agradecer aos meus pais. Agradeço
pela formação baseada na retidão, honestidade e humanidade. Do meu pai (Murilo)
herdei o senso critico a generosidade e a curiosidade inteligível. Da minha mãe
a doçura da empatia, sensibilidade, caridade e amor ao próximo. Do meu Tio Dr.
Sebastião Palmeira a abertura para a intelectualidade. A coragem de se impor,
vencer desafios, e sempre trilhar no caminho da retidão. Vale apena ser
honesto!
No mestrado em Administração apreendi a sonhar com os
pés no chão. Devemos estimular nos jovens o senso de liberdade, de democracia e
de criatividade cultural. Se não tivemos um sonho comum, jamais teremos
condições de se criar a Alagoas potencia regional. Se não tivermos um sonho,
não teremos um estado grandioso. Certa vez, um grande amigo, professor Wiliton Alcântara
me disse: “Jamais se deve criticar apenas
por criticar. Desconstruir apenas por descontruir. O dever de quem aponta erros
é apontar caminhos e modelos a ser seguido”. Mas, deixemos as lamentações e
partamos para a realidade. O que deve ser feito, mudado, aperfeiçoado,
melhorado, construído.
A pobreza alagoana dos não privilegiados nasceu na
idade medial, ibérica luso-espanhola, e atravessou a atlântico, resistindo ao
tempo e chegando a atualidade. A sociedade alagoana nasce e se conservam recheada
de conflitos, contradições. Em todos os tempos (na Alagoas Colonial, Imperial,
Republicana ou na Pós-moderna) manter o poder sempre foi um dogma. Hoje não
seria diferente. Quanto ao “resto” da população, salve-se quem puder! As terras de Alagoas sempre representou a
utopia de uma lugar do enriquecimento fácil. Desde século XVI até hoje com os
salteadores do poder.
Por fim, para
encerrar as essas linhas, uso as com as palavras do historiador, poeta,
escritor Dirceu Lindoso, uma lenda viva. “Houve
uma riqueza de poucos e uma pobreza de muitos. Esse foi o jeito que encontramos
de criar Alagoas. Pois é bom que se diga: Alagoas nasceu de uma grande paixão.
A paixão pela vida, a paixão pela morte. A paixão pela riqueza, a resignação
pela pobreza. E, desculpe-me o orgulho do nosso antigo Pernambuco, pelas
escolhas que fizemos na História. Alagoas é terra mater”.
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